O processo de envelhecimento traz mudanças importantes na composição corporal, no metabolismo e no funcionamento do sistema digestório, o que aumenta o risco de sobrepeso, desnutrição, deficiências de micronutrientes e pior controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Entre os fatores que interferem na saúde digestiva do idoso, estão a redução gradual da produção de ácido clorídrico no estômago (hipocloridria), a presença de infecções como Helicobacter pylori e o uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez gástrica, como os inibidores de bomba de prótons (IBP, os “prazóis”).
março 4, 2026A hipocloridria prejudica a digestão de proteínas, a absorção de minerais (como ferro, cálcio, zinco) e vitaminas, e pode favorecer sintomas como distensão abdominal, gases, refluxo, constipação e sensação de “empachamento” após as refeições. Além disso, o uso crônico de IBP tem sido associado a deficiência de vitamina B12, que por sua vez pode causar anemia megaloblástica e sintomas associados.
No contexto da Atenção Primária à Saúde, o enfermeiro ocupa posição estratégica na identificação de riscos nutricionais em idosos, na orientação sobre escolhas alimentares mais saudáveis, na promoção de redução de ultraprocessados e no reconhecimento precoce de sinais e sintomas de possíveis deficiências nutricionais relacionadas a hábitos alimentares inadequados e uso prolongado de medicamentos.
Considere que você é o enfermeiro da UBS Pôr do Sol, no interior do Paraná. Lá, você recebe diferentes pacientes todos os dias, com os mais diferentes sinais e sintomas possíveis. Dentre estes pacientes, esta a encantadora Dona Idalina, 89 anos, a qual possui histórico de Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Ela mede 1,56 m de altura e pesa 79 kg.
Relata sensação de digestão lenta, refluxo, distensão abdominal, muitos gases e constipação a alguns anos. Além disso, diz ser muito ansiosa, referindo que “come para aliviar a ansiedade”, com preferência por alimentos ultraprocessados, mais palatáveis (salgadinhos, biscoitos recheados, doces prontos, fast-food).
Quando questionada sobre o consumo de frutas, ela diz que consome frutas em todas as refeições, no suco de saquinho. Baixa ingestão de proteínas, especialmente de carnes vermelhas, por queixa de “não cair bem” e dificuldade de mastigação já que a prótese esta frouxa.
Faz uso crônico de fármacos da classe dos prazóis, iniciados após diagnóstico de infecção por H. pylori, sem reavaliação recente da necessidade de manutenção.
Nos últimos meses, Dona Maria passou a perceber: Formigamento em mãos e pés, fraqueza muscular, sintomas depressivos e desânimo, dificuldade de concentração e raciocínio mais lento. Ela relaciona tudo à “idade” e não associa
