De que forma o reconhecimento da Libras como língua natural contribui para a valorização da identidade linguística da pessoa surda e para a construção de práticas pedagógicas inclusivas?
junho 16, 2026ATIVIDADE 1 – LIBRAS – 52_2026
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida como uma língua natural, com estrutura gramatical própria, distinta das línguas orais-auditivas. Sua organização linguística envolve parâmetros específicos, como configuração de mãos, ponto de articulação, movimento, orientação e expressões não manuais, que desempenham funções equivalentes aos níveis fonológico, morfológico e sintático das línguas orais. Segundo Ronice Müller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp (2004), a Libras não é uma simples tradução do português, mas uma língua autônoma, estruturada a partir da modalidade visuoespacial. Essa característica implica uma forma distinta de organização do pensamento e de construção de sentidos, na qual a visualidade assume papel central no processo cognitivo e comunicativo.
Fonte: QUADROS, R. M. de; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.
Estudos linguísticos apontam que a Libras apresenta mecanismos próprios de formação de palavras e construção de sentenças, incluindo fenômenos, como a topicalização, o uso do espaço para marcação gramatical e a simultaneidade de informações. Esses aspectos demonstram que a Libras possui complexidade equivalente à de qualquer outra língua natural. De acordo com Ferdinand de Saussure (2006), a língua é um sistema de signos organizado socialmente. Ao aplicar essa perspectiva à Libras, compreende-se que ela não apenas estrutura a comunicação, mas também constitui identidades culturais e linguísticas da comunidade surda, sendo elemento fundamental para sua inclusão social e educacional.
